

arte sob o domínio visigótico
Utilizamos a designação de arte sob o domínio visigótico e não arte visigótica, devido às dificuldades de caracterização de uma arte própria destes povos, isolados da linha de continuidade que se estabelece entre ela e a arte tardo-romana e paleocristão.
Embora se possa considerar a constituição do reino de Toledo e a consolidação do reino Visigótico como o fim da época paleocristã, devemos contudo prolongá-la, de aceitarmos a tese de José Mattoso: " A qualidade das realizações culturais deve-se quase exclusivamente ao prolongamento dos recursos de uma época anterior e que agora depende sobretudo do clero, que a desenvolve com as suas próprias capacidades, embora sobre a protecção do poder militar e da aristocracia visigótica. É, portanto, um fenómeno hispano-romano, que deve pouco àquilo que os visigodos trazem fora da Hispânia. A sua participação [na chamada cultura visigótica] é quase sempre ilusória./
Leitura: Contexto Penínsular da Arte Paleocristã/Hist.Arte-Medieval,p.22.Univ.Aberta.
É a partir do Século III que temos uma Igreja, com comunidades organizadas hierarquicamente sob o poder dos bispos e diáconos. O Cristianismo expande-se inicialmente em zonas urbanas -onde hoje surgem dados arqueológicos e epigráficos da maior importância-, ligados a grupos sociais heterogéneos. As Actas de Mártires dão-nos notícia de escravos libertos, comerciantes, artesãos e soldados. As ligações com o Norte de África parecem ser dominantes, sendo claras as influências da sua cultura até ao século IV.
Nos autores hispano-cristãos observa-se uma lenta evolução para uma cultura cristã que progressivamente prescinde do clássico, embora, embora sejam conhecidos autores como Virgílio ou Ovídio.
Já no século IV, encontramos nomes bem importantes no contexto da cultura religiosa, originários, como Potâmio de Lisboa (c.360). Este autor inicia mesmo a história do pensamento cristão hispânico, e constitui um interessante testemunho de teologia popular, pouco especulativa e ligada à prática.
O movimento priscilianista, do mesmo modo, atesta o nível herético e e acusado de maniqueísmo e de práticas de magia, deu lugar a vasta literatura antiprisciliana, encabeçada por outros nomes da cultura ibérica como Idácio de Mérida ou Itácio de Ossonoma (1)
Depois do seu afastamento e condenação cria-se um vazio, só preenchido no séc. VI por S.Martinho, que chega à Península cerca de 550. Santo Isidro, um século mais tarde, considera-o o homem mais culto do seu tempo. Vai ser grande defensor ascetismo monástico, tendo um papel evangelizdor considerável no reino suevo, sendo ainda o responsável pela conversão do monarca. A sua obra é marcada por uma intervenção política e religiosa, que o levou à compilação de cânones de concílios. Teve também um importante papel na adopção do latim falado na Galécia. (2)
Neste contexto, é natural que as manifestações artísticas assumissem uma projecção considerável: o seu estudo tem na exege dos textos da época e na Arqueologia os principais meios para a compreensão deste período,dado que os vestígios materiais que ainda subsistem são escassos.
Segundo P. de Palol (3), é a partir do século IV que a arte cristã se divulga na península "entendemos na Hispânia como manifestações de arte paleocristã, as peças que correspondem à Tetrarquia (4) e, sobretudo, a tempos constantinianos, quer dizer, aos séculos IV e posteriores. Em relação ao limite final é muito difícil estabelecê-lo na Península". Vertente importante do mundo tardo-romano, esta arte prolongar-se-á para alguns autores até às primeiras manifestações artísticas de Árabes e Moçárabes.
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(1) Ossónoba-> Antiga prov. algarvia, antepassada da actual cidade de Faro. (2) Galécia-> o.m.q. Galicia; onde habitavam os galegos. (3) P. de Palol-> Pedro de Palol, "Arte Paleocristiano en Espña", Barcelona, 1970 (4) Tetrarquia-> Cada uma das quatro partes em que se dividiam alguns estado do Império Romano.
®ManuelVarella
Univ-Ab
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