sábado, 6 de março de 2010

HISTÓRIA d'ARTE








arte sob o domínio visigótico


Utilizamos a designação de arte sob o domínio visigótico e não arte visigótica, devido às dificuldades de caracterização de uma arte própria destes povos, isolados da linha de continuidade que se estabelece entre ela e a arte tardo-romana e paleocristão.
Embora se possa considerar a constituição do reino de Toledo e a consolidação do reino Visigótico como o fim da época paleocristã, devemos contudo prolongá-la, de aceitarmos a tese de José Mattoso:
" A qualidade das realizações culturais deve-se quase exclusivamente ao prolongamento dos recursos de uma época anterior e que agora depende sobretudo do clero, que a desenvolve com as suas próprias capacidades, embora sobre a protecção do poder militar e da aristocracia visigótica. É, portanto, um fenómeno hispano-romano, que deve pouco àquilo que os visigodos trazem fora da Hispânia.
A sua participação [na chamada cultura visigótica] é quase sempre ilusória./
Leitura: Contexto Penínsular da Arte Paleocristã/Hist.Arte-Medieval,p.22.Univ.Aberta.

É a partir do Século III que temos uma Igreja, com comunidades organizadas hierarquicamente sob o poder dos bispos e diáconos. O Cristianismo expande-se inicialmente em zonas urbanas -onde hoje surgem dados arqueológicos e epigráficos da maior importância-, ligados a grupos sociais heterogéneos. As Actas de Mártires dão-nos notícia de escravos libertos, comerciantes, artesãos e soldados. As ligações com o Norte de África parecem ser dominantes, sendo claras as influências da sua cultura até ao século IV.
Nos autores hispano-cristãos observa-se uma lenta evolução para uma cultura cristã que progressivamente prescinde do clássico, embora, embora sejam conhecidos autores como Virgílio ou Ovídio.
Já no século IV, encontramos nomes bem importantes no contexto da cultura religiosa, originários, como Potâmio de Lisboa (c.360). Este autor inicia mesmo a história do pensamento cristão hispânico, e constitui um interessante testemunho de teologia popular, pouco especulativa e ligada à prática.
O movimento priscilianista, do mesmo modo, atesta o nível herético e e acusado de maniqueísmo e de práticas de magia, deu lugar a vasta literatura antiprisciliana, encabeçada por outros nomes da cultura ibérica como Idácio de Mérida ou Itácio de Ossonoma (1)
Depois do seu afastamento e condenação cria-se um vazio, só preenchido no séc. VI por S.Martinho, que chega à Península cerca de 550. Santo Isidro, um século mais tarde, considera-o o homem mais culto do seu tempo. Vai ser grande defensor ascetismo monástico, tendo um papel evangelizdor considerável no reino suevo, sendo ainda o responsável pela conversão do monarca. A sua obra é marcada por uma intervenção política e religiosa, que o levou à compilação de cânones de concílios. Teve também um importante papel na adopção do latim falado na Galécia. (2)
Neste contexto, é natural que as manifestações artísticas assumissem uma projecção considerável: o seu estudo tem na exege dos textos da época e na Arqueologia os principais meios para a compreensão deste período,dado que os vestígios materiais que ainda subsistem são escassos.
Segundo P. de Palol (3), é a partir do século IV que a arte cristã se divulga na península "entendemos na Hispânia como manifestações de arte paleocristã, as peças que correspondem à Tetrarquia (4) e, sobretudo, a tempos constantinianos, quer dizer, aos séculos IV e posteriores. Em relação ao limite final é muito difícil estabelecê-lo na Península". Vertente importante do mundo tardo-romano, esta arte prolongar-se-á para alguns autores até às primeiras manifestações artísticas de Árabes e Moçárabes.
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(1) Ossónoba-> Antiga prov. algarvia, antepassada da actual cidade de Faro.
(2) Galécia-> o.m.q. Galicia; onde habitavam os galegos.
(3) P. de Palol-> Pedro de Palol, "Arte Paleocristiano en Espña", Barcelona, 1970
(4) Tetrarquia-> Cada uma das quatro partes em que se dividiam alguns estado do Império Romano.

®ManuelVarella
Univ-Ab

terça-feira, 10 de novembro de 2009

arte medieval portuguesa



PALEOCRISTÃO
"A escultura funerária constitui o conjunto mais antigo da arte paleocristã. A Figura representa o "sarcófago de Braga" que, no seu estilo, e no ponto de vista iconográfico, é muito sintético e descreve elementos comuns à arte pagã: pássaros que debicam nas uvas, e o alfa e omega no interior da coroa de louros (elementos cristãos).

Paleocristão é um termo que não designa propriamente um estilo, antes se refere a qualquer obra de arte executada por ou para cristãos durante a época que precedeu o cisma da Igreja Ortodoxa -ou seja, aproximadamente, nos primeiros cinco séculos da nossa era. Arte Bizantina , por seu lado,designa não só arte do Império Romano do Oriente, mas também um tipo peculiar de estilo. Segundo Pedro de Palol, é a partir do século IV que a arte cristã se divulga na Península, "entendemos na Hispânia como manifestações de arte paleocristã, as peças que correspondem à Tertrarquia e, sobretudo, a tempos constantinianos, quer dizer, aos séculos IV e posteriores.[1] Entre nós, só a partir do século VI, quando se faz sentir no nosso território a influência de S.Martinho de Dume , são edificados templos paleocristãos que, pelas suas dimensões, complexidades de plantas e qualidade do aparelho, revelam a importância do território. Entre eles são dignos de destaque Torre de Palma e Dume. [2] Torre de Palma, situada perto de Monforte, é um dos edifícios que se integra numa das tipologias mais difundidas na Península e que mostram ligações íntimas ao Norte de África - a basílica de dupla abside. É um conjunto grandioso de proporções esbeltas: nave central de 5 metros laterais 2 metros de suportes delicados e aparelho de qualidade. Apresenta abside dupla, três naves, protésis e diaconicon. Estes dois espaços estão ligados. O nártex [3] é desenvolvido. Possui ainda um baptistério de planta cruciforme, revestido de placas de mármore fora da basílica, o que confirma que, no início do cristianismo, o baptismo se efectuava no exterior dos templos. O baptistério segue o modelo clássico de dupla escada de três degraus. Este edifício apresenta características das basílicas paleocristãs, herdeiras da antiga basílica pagã. Tal como nas basílicas romanas, vamos encontrar um nartex de entrada, ponto de encontro e recolhimento dos fiéis, no sentido de profundidade da nave. Apesar da sua monumentalidade, terá sido "um espaço de igreja particular de um propietário rural", como afirma Theodor Hanschild.[4] São Martinho esteve também directamente ligado à construção de um templo em Dume, perto de Braga, mandado erigir po Chararicus,rei dos Suevos. Segundo C.A.Ferreira de Almeida e de acordo com as escavações ainda em curso, trata-se de um martyrium, ou seja, mausoléu de planta centrlizada, construído para albergar relíquias de santos, neste caso Martinho de Tours. O próprio São Martinho terá participado na escolha da planta que seguiria o modelo oriental de cabeceira.


Para além destes templos, exemplos de dois tipos diferentes de construção paleocristã, muitos outros foram construídos entre nós, como or exemplo em Tróia e Mértola , para citar só alguns. As escavações em curso e as suas conclusões permitirão dar uma visão mais clara da importância desta época. Planta de um corte da Catedral de Amiens onde se apontam os diversos nomes dos elementos arquitectónicos da construção das catedrais medievas.
[esboço de M.Varella]