

PALEOCRISTÃO
"A escultura funerária constitui o conjunto mais antigo da arte paleocristã. A Figura representa o "sarcófago de Braga" que, no seu estilo, e no ponto de vista iconográfico, é muito sintético e descreve elementos comuns à arte pagã: pássaros que debicam nas uvas, e o alfa e omega no interior da coroa de louros (elementos cristãos).
Paleocristão é um termo que não designa propriamente um estilo, antes se refere a qualquer obra de arte executada por ou para cristãos durante a época que precedeu o cisma da Igreja Ortodoxa -ou seja, aproximadamente, nos primeiros cinco séculos da nossa era. Arte Bizantina , por seu lado,designa não só arte do Império Romano do Oriente, mas também um tipo peculiar de estilo. Segundo Pedro de Palol, é a partir do século IV que a arte cristã se divulga na Península, "entendemos na Hispânia como manifestações de arte paleocristã, as peças que correspondem à Tertrarquia e, sobretudo, a tempos constantinianos, quer dizer, aos séculos IV e posteriores.[1] Entre nós, só a partir do século VI, quando se faz sentir no nosso território a influência de S.Martinho de Dume , são edificados templos paleocristãos que, pelas suas dimensões, complexidades de plantas e qualidade do aparelho, revelam a importância do território. Entre eles são dignos de destaque Torre de Palma e Dume. [2] Torre de Palma, situada perto de Monforte, é um dos edifícios que se integra numa das tipologias mais difundidas na Península e que mostram ligações íntimas ao Norte de África - a basílica de dupla abside. É um conjunto grandioso de proporções esbeltas: nave central de 5 metros laterais 2 metros de suportes delicados e aparelho de qualidade. Apresenta abside dupla, três naves, protésis e diaconicon. Estes dois espaços estão ligados. O nártex [3] é desenvolvido. Possui ainda um baptistério de planta cruciforme, revestido de placas de mármore fora da basílica, o que confirma que, no início do cristianismo, o baptismo se efectuava no exterior dos templos. O baptistério segue o modelo clássico de dupla escada de três degraus. Este edifício apresenta características das basílicas paleocristãs, herdeiras da antiga basílica pagã. Tal como nas basílicas romanas, vamos encontrar um nartex de entrada, ponto de encontro e recolhimento dos fiéis, no sentido de profundidade da nave. Apesar da sua monumentalidade, terá sido "um espaço de igreja particular de um propietário rural", como afirma Theodor Hanschild.[4] São Martinho esteve também directamente ligado à construção de um templo em Dume, perto de Braga, mandado erigir po Chararicus,rei dos Suevos. Segundo C.A.Ferreira de Almeida e de acordo com as escavações ainda em curso, trata-se de um martyrium, ou seja, mausoléu de planta centrlizada, construído para albergar relíquias de santos, neste caso Martinho de Tours. O próprio São Martinho terá participado na escolha da planta que seguiria o modelo oriental de cabeceira.

Para além destes templos, exemplos de dois tipos diferentes de construção paleocristã, muitos outros foram construídos entre nós, como or exemplo em Tróia e Mértola , para citar só alguns. As escavações em curso e as suas conclusões permitirão dar uma visão mais clara da importância desta época. Planta de um corte da Catedral de Amiens onde se apontam os diversos nomes dos elementos arquitectónicos da construção das catedrais medievas.
[esboço de M.Varella]